Olá, pessoal!
Seguimos pela Bulgária, país que visitei em março de 2024 com a minha mãe. No post anterior, contei sobre minha breve passagem por Sofia, capital do país, cidade que escolhi como base para nossa estadia. De lá, fizemos um bate e volta para Plovdiv. E é sobre esse passeio que vou falar neste post.
Plovdiv, segunda maior cidade do país, é conhecida por sua rica herança cultural e arqueológica. Seu antigo nome era Philippopolis. Foi conquistada pelos romanos, que deixaram marcas como o Antigo Teatro Romano e o Estádio de Philippopolis. A cidade se desenvolveu ao longo dos séculos sob influência bizantina e otomana, o que explica sua arquitetura variada e o charme da Cidade Velha, com casas coloridas do período renascentista búlgaro.
Em 2019, Plovdiv foi escolhida como Capital Europeia da Cultura, atraindo investimentos e artistas que revitalizaram várias áreas da cidade.
A cidade é um destino acessível para turistas: a viagem de ônibus ou de trem desde Sofia leva em torno de 2 horas, tornando-a perfeita para um bate-e-volta ou para uma estadia mais longa. Pegamos o ônibus das 8:10 na rodoviária de Sofia. Compramos as passagens lá na hora e cada uma custou 30,80 “levs” (BGH), cerca de 16 euros, ida e volta.


Eu já havia agendado um free walking tour, cujo ponto de encontro era em frente ao prédio da Prefeitura (Plovdiv City Hall). Chegamos lá após uma breve caminhada saindo da rodoviária de Plovdiv.
Durante essa caminhada, passamos pelo “Tsar Simeon Garden” Park , um parque criado no final do século XIX e bastante procurado para piqueniques, passeios e momentos de lazer. Ele é conhecido pela fonte de águas que cantam (“Singing Fountains”), que oferece espetáculos de luz e música durante o verão, mas ela não estava funcionando.

A seguir, falarei um pouco sobre os pontos visitados durante o free walking tour e outros por onde passamos nesse dia em Plovdiv.
Começamos o passeio pelo Foro Romano Philippopolis, que fica logo após o Parque “Tsar Simeon Garden”. Ele é um dos maiores complexos arqueológicos da Bulgária. Foi construído no século I d.C., ocupando uma área de aproximadamente 20 hectares. Era o coração da vida pública, administrativa, comercial e religiosa da antiga Philippopolis. As escavações iniciadas em 1971 revelaram a grandiosidade do espaço e hoje os visitantes podem caminhar entre as ruínas de colunas, edifícios administrativos e praças.


No início do tour, passamos pela principal rua de pedestres da cidade, a Rua Knyaz Alexander I (Glavnata). Ela foi projetada por um arquiteto austríaco em estilo clássico e parte do piso manteve a estrutura das ruínas romanas. As fachadas das construções situadas nessa rua são tombadas. Ela tem cerca de 1,7 km de extensão e atravessa o centro moderno da cidade, ligando a Praça Central ao bairro Kapana. É considerada uma das ruas comerciais mais longas da Europa, repleta de lojas, cafés, restaurantes e edifícios históricos.

Caminhando por essa rua, nos deparamos com uma escultura bem engraçada de um homem sentado: Milyo the Crazy (Milyo, o Louco). Ela representa um personagem popular e excêntrico de Plovdiv, conhecido por sua personalidade alegre e por conversar com todos na rua. A tradição é se aproximar e “contar um segredo” ao Milyo, como se ele fosse um confidente silencioso.

Ao lado do Milyo, fica a Water cascade down the stairs of the “Kamenica”, escadaria que liga a Rua Principal (Glavnata) ao Sahat Tepe (um dos morros históricos da cidade), com um sistema de quedas d’água que desce pelos degraus, criando um efeito refrescante e visualmente encantador. O projeto incluiu novas pavimentações, reservatórios subterrâneos e iluminação. Nela foi instalado o letreiro “Together” (juntos), que foi criado como símbolo oficial de Plovdiv durante o ano de 2019 quando a cidade foi escolhida Capital Europeia da Cultura.

Por incrível que pareça, uma parte das ruínas do Estádio Romano Philippopolis está embaixo da principal rua de pedestre da cidade e pode ser vista de dentro da loja de roupas H&M. Outra parte está descoberta e aberta à visitação (entrada gratuita). Ele foi construído no início do século II d.C., o estádio tinha capacidade para cerca de 30 mil espectadores e era usado para corridas, competições atléticas e festivais públicos.



Ao lado da parte do Estádio Romano Philippopolis aberta à visitação, uma construção se destaca: a Mesquita Dzhumaya (Dzhumaya Mosque). É a mesquita mais antiga de Plovdiv, construída no século XV durante o período otomano. A arquitetura combina elementos islâmicos tradicionais com influências locais, destacando-se pelas paredes de pedra e tijolo e pelo minarete elegante que domina a paisagem urbana.


No caminho para a Cidade Velha (Old Town), passamos pelo Bairro de Kapana, um dos lugares mais vibrantes e criativos da cidade, perfeito para quem gosta de arte, gastronomia e vida boêmia. É um verdadeiro labirinto com cafés charmosos, bares alternativos, galerias de arte e lojas de design. Segundo o guia, antes era uma importante região comercial, mas foi atingida por um grande incêndio no início do sec XX. Foi reconstruída depois disso pelos comerciantes. Durante o regime comunista (entre 1946 e 1990), a área ficou abandonada e predominava a cor cinza nas construções. Após um processo de revitalização, Kapana tornou-se o epicentro cultural de Plovdiv, especialmente durante o período em que a cidade foi Capital Europeia da Cultura. Foram dados incentivos para atrair os comerciantes de volta e o grafite levou o colorido e vida para o bairro.


A Old Town (Cidade Antiga) de Plovdiv é o coração histórico da cidade e está situada sobre três colinas: Nebet Tepe, Dzhambaz Tepe e Taksim Tepe. Ela reúne ruas de paralelepípedos, casas coloridas do período do Renascimento Nacional Búlgaro (séculos XVIII e XIX), com alguns resquícios do século I, igrejas antigas e museus que preservam a memória da região. Caminhar por suas vielas é como voltar no tempo: cada fachada ricamente decorada revela a prosperidade dos comerciantes que ali viviam, enquanto os mirantes oferecem vistas espetaculares da cidade moderna.
As Casas Balabanov e Hindliyan são dois dos exemplos mais marcantes da arquitetura do Renascimento Nacional Búlgaro. Construídas nos séculos XVIII e XIX por famílias de comerciantes ricos (as duas famílias competiram pra ver qual construía a melhor mansão), elas refletem o estilo e a prosperidade da época, com fachadas coloridas, ornamentos elaborados e interiores luxuosos. A Casa Balabanov é conhecida por seus salões espaçosos e hoje funciona como espaço cultural, recebendo concertos e exposições. Já a Casa Hindliyan impressiona pela decoração preservada, com afrescos pintados à mão, móveis originais, uma fonte de colônia de rosas e até um sistema de abastecimento de água interno.

Durante a Antiguidade e a Idade Média, a cidade era protegida por muralhas que cercavam as três colinas principais. Elas foram gradualmente derrubadas ao longo dos séculos, principalmente durante o período otomano, quando a cidade deixou de ter uma função militar tão estratégica. Hoje, ainda é possível ver partes preservadas dessas muralhas. O único portão de entrada da fortaleza que sobrou inteiro é o Hisar Kapia, que foi usado como fundação da mansão de uma família rica e que hoje abriga o museu etnográfico.

Ainda na Cidade Velha, visitamos a Igreja Sveta Bogoroditsa (Igreja da Santa Mãe de Deus), um dos templos ortodoxos mais importantes de Plovdiv. Construída originalmente no século XIV e reconstruída em 1844 durante o período do Renascimento Nacional Búlgaro, ela simboliza a resistência e a fé dos habitantes da cidade em tempos de dominação otomana. Por muitos anos, igrejas como essas tiveram que ficar escondidas. A fachada é sóbria, mas o interior impressiona com ícones ricamente decorados e um magnífico iconóstase (parede ou tela ornamentada com ícones religiosos) esculpido em madeira dourada. É um marco histórico que testemunha a luta pela preservação da identidade cultural búlgara.


A última parada do tour foi no Antigo Teatro Romano (Ancient Theatre of Philippopolis), que é um dos monumentos mais bem preservados da era romana nos Bálcãs e um dos símbolos da cidade. Construído no final do século I d.C., o teatro tinha capacidade para cerca de 7 mil espectadores e era usado para peças, concertos e reuniões públicas. Localizado entre duas colinas, oferece uma vista espetacular da cidade moderna e do vale do rio Maritsa. Redescoberto nos anos 1970 após escavações arqueológicas (dizem que foi após um morador encontrar um pedaço de escultura de mármore ao cavar no seu jardim), o teatro foi restaurado e hoje recebe apresentações culturais e festivais.


Após o fim do passeio, voltamos para Kapana, onde almoçamos em um restaurante turco.

Como viram, Plovdiv é repleta de atrações. Portanto, vale muito a pena incluir no roteiro da Bulgária, pelo menos, um dia nessa cidade. Se optar pelo bate-e-volta, recomendo fazer o free walking tour ou contratar um tour guiado para otimizar o tempo e visitar os principais pontos.
Até a próxima, pessoal!
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