Olá, pessoal!
Chegamos ao último post sobre a viagem que fiz com minha mãe pela região dos Balcãs em março de 2024! Neste eu vou falar sobre a nossa passagem por Bucareste, capital da Romênia.
Bucareste foi fundada na Idade Média e ganhou importância no século XV sob o reinado de Vlad III, o “Empalador”, e ao longo dos séculos se transformou em um centro político e econômico. Durante o século XIX, Bucareste ficou conhecida como a “Pequena Paris” por sua arquitetura elegante e vida cultural efervescente. Hoje, é uma metrópole dinâmica, marcada por contrastes entre palácios históricos e bairros modernos.
O idioma oficial é o romeno, uma língua latina que aproxima o país culturalmente do sul da Europa. Muitas vezes eu pensei que falavam português, pois algumas palavras são semelhantes e a fonética deles lembra a nossa em algumas palavras. A moeda utilizada é o leu romeno (RON), não conseguimos usar euro, foi preciso fazer câmbio e/ou sacar na moeda local.
O transporte público é bem bom e fácil de usar. Utilizamos ônibus e metrô e pagamos com cartão de aproximação (usei meu Nomad). Ah! Uma dica de economia é pegar o ônibus para o aeroporto (número 100) na praça Unirii, custa apenas €0.6 e pode pagar com cartão de aproximação. É meio confuso de achar, mas fica perto do Mc Donalds e é bem confortável!
Chegamos a Bucareste de ônibus, desde Sofia, capital da Bulgária, e a viagem durou 8 horas. A passagem custou o equivalente a pouco mais de U$ 41 para as duas. Passamos menos de três dias e nos hospedamos em um apartamento (Small Central Bucharest Old Town Studios) que reservamos pela Booking.com. A localização era maravilhosa, bem no centrinho da Old Town (Cidade Velha), que foi o foco dessa viagem!
Assim como nas demais cidades, fizemos um free walking tour (passeio guiado a pé com pagamento voluntário) na manhã do primeiro dia, para conhecer os principais pontos da Cidade Velha e para aprender um pouco da história da cidade.

A primeira atração visitada, e ponto de encontro do tour, foi o restaurante Manuic, considerado um dos restaurantes mais antigos em funcionamento contínuo da cidade. Ele funciona em um antigo albergue construído em 1808, e, segundo a guia, era uma fortaleza para proteger as bebidas alcoólicas, consideradas bens valiosos e vulneráveis a roubos ou adulterações. Infelizmente, não deu tempo de comer lá, mas parece ser um ótimo restaurante!

Seguimos para a Curtea Veche (Antiga Corte Princely), que é um dos marcos históricos mais importantes de Bucareste, situada no coração do centro antigo da cidade. Construída no século XV por Vlad III, o Empalador, que recebeu esse título por torturar e empalar (enfiar um espeto) pessoas, e que inspirou a lenda de Conde Drácula. Serviu como residência e sede administrativa dos príncipes da Valáquia (região histórica da Europa Oriental que corresponde, em grande parte, ao sul da atual Romênia). O complexo incluía palácio, igreja e espaços de governo, tornando-se o núcleo político da capital por vários séculos. Hoje, restam ruínas que revelam a imponência da construção original, além da Igreja de Santo Antônio, que fazia parte do conjunto e continua ativa.

A Igreja Santo Antonio (Biserica Sfântul Anton), também conhecida como Igreja da Curtea Veche, é considerada a mais antiga igreja ortodoxa de Bucareste que preservou sua forma original. Construída por volta de 1559, foi, por muito tempo, o local onde os governantes da Valáquia eram coroados.
Localizada no coração do centro histórico, sua fachada de tijolos vermelhos e estilo arquitetônico simples, mas imponente, a tornam um marco da cidade. Apesar de ter sofrido danos em incêndios e terremotos ao longo dos séculos, passou por restaurações e continua sendo um espaço de devoção e memória histórica, muito querido pelos moradores e admirado pelos visitantes.

A parada seguinte foi na Igreja Stravopoleos (Biserica Stavropoleos), construída em 1724 com influências bizantinas, com uma fachada ricamente ornamentada e um interior de grande beleza. Apesar de pequena, a igreja impressiona pelos afrescos, além de abrigar uma biblioteca especializada em teologia e música bizantina e um importante mosteiro, fundado junto com a igreja e que ainda funciona, mantendo viva a tradição ortodoxa.


Caminhamos mais um pouco e chegamos ao Palácio CEC, um dos edifícios mais icônicos de Bucareste, situado na Calea Victoriei, uma das principais avenidas da cidade, onde os ricos desfilavam suas riquezas no século XIX. Inaugurado em 1900, foi projetado e construído para abrigar a sede do Banco de Poupança CEC (Casa de Economii și Consemnațiuni) e hoje é a sede do CEC Bank. Sua arquitetura em estilo eclético impressiona pela fachada ornamentada e pela imponente cúpula de vidro e metal que cobre o hall central.

Um dos lugares mais agradáveis que visitamos foi a Passagem Macca-Vilacrosse, um dos cantinhos mais charmosos de Bucareste, localizada entre a Calea Victoriei e a rua Lipscani, no centro histórico. Construída no final do século XIX, ela se destaca pela cobertura de vidro em formato de “Y”, que permite a entrada de luz natural e cria uma atmosfera acolhedora. Originalmente projetada para abrigar lojas e cafés elegantes, hoje continua sendo um ponto de encontro vibrante, repleto de bares, restaurantes e espaços culturais. Segundo a guia, o dono dividiu a passagem entre suas duas filhas e deu o nome dos seus genros.

Seguimos a caminhada com o grupo e passamos pela Sede do Banco Nacional da Romênia (Banca Națională a României), construído no final do século XIX. Além de ser o coração do sistema financeiro romeno, o prédio é também um marco arquitetônico da cidade.

Após poucos minutos de caminhada, chegamos à Cărturești Carusel, livraria considerada uma das mais belas do mundo. Instalada em um edifício histórico do século XIX, que já foi sede bancária, o espaço foi totalmente restaurado e transformado em um ambiente moderno e luminoso, com seis andares repletos de estantes, varandas e escadarias elegantes. Além da vasta seleção de livros, o local oferece vinhos, produtos artesanais e presentes, e uma cafeteria no último andar, tornando-se um verdadeiro centro cultural.



A parada seguinte ficava ali perto, mas do outro lado de uma movimentada avenida (Boulevard Brătianu). Atravessamos por uma passagem subterrânea conhecida como Passagem Latina. Ela foi construída entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, como parte das obras de modernização urbana que acompanharam a abertura do atual Boulevard Brătianu. Ao longo da passagem, é possível admirar obras de arte afixadas nas paredes.


A última parada do nosso tour foi na Nova Igreja de São Jorge (Biserica Sfântul Gheorghe Nou), uma das igrejas ortodoxas mais importantes de Bucareste. Construída no início do século XVIII sob o reinado do príncipe Constantin Brâncoveanu (Constantino), que inclusive está sepultado em seu interior, ela foi reconstruída diversas vezes. O hall de entrada é decorado por murais com imagens do céu, do inferno e da história de Constantino. O templo é repleto de detalhes ornamentais que misturam influências bizantinas e locais, com paredes e tetos completamente cobertos por pinturas coloridas.






Além de sua relevância religiosa e artística, a igreja abriga o Quilômetro Zero da Romênia, o marco zero oficial do país, situado em frente ao edifício. Esse ponto simbólico indica o centro geográfico e espiritual da capital, de onde se medem as distâncias para todas as regiões romenas.

Após o tour, fomos às compras! Escolhemos o Shopping Center ParkLake, que tem lojas internacionais, como a Primark, a Zara, a Levi’s, além de diversas marcas nacionais.
No dia seguinte, fizemos nossos passeios por conta própria. Começamos pelo Palácio do Parlamento Romeno, considerado o segundo maior edifício administrativo do mundo (mas é o mais pesado), atrás apenas do Pentágono, e um dos símbolos mais marcantes da capital.

Atualmente, além de abrigar o Parlamento e outras instituições, o palácio está aberto ao público por meio de visitas guiadas, que permitem explorar parte de seus interiores luxuosos e conhecer a história por trás de sua construção. As visitas acontecem a cada 30 minutos, custam 120 RON cada e podem ser em vários idiomas, mas não tem em português, por isso optamos pelo inglês.
Construído durante o regime de Nicolae Ceaușescu, nos anos 1980, o prédio impressiona pela grandiosidade e pela arquitetura monumental, com 12 andares acima do solo, 8 subterrâneos e mais de 1100 salas, galerias e salões decorados com mármore, cristais e tapeçarias. Segundo a guia, o projeto do palácio envolveu 700 arquitetos e os materiais construtivos empregados na obra eram todos de origem romena. A construção, que custou cerca de 3,5 bilhões de dólares, começou em 1984 e foi oficialmente interrompida em 1989, após a morte de Ceaușescu. Até esse momento, cerca de 80% do edifício havia sido concluído. Embora o prédio tenha sido inaugurado e utilizado a partir dos anos 1990, ele nunca foi totalmente finalizado, já que algumas áreas internas permanecem inacabadas até hoje.




A última atração turística que visitamos foi a Praça da Universidade (Piața Universității), um dos pontos centrais e mais movimentados da cidade, tanto pela sua localização estratégica quanto pelo valor histórico e cultural. Rodeada por edifícios emblemáticos, como a Universidade de Bucareste e o Teatro Nacional, a praça é também conhecida pelos monumentos dedicados a figuras importantes da história romena. Ela ganhou destaque como palco de manifestações políticas e sociais, especialmente durante a Revolução de 1989, tornando-se símbolo da luta pela liberdade e democracia.

- RESTAURANTES
Infelizmente, não tivemos tempo de mergulhar na gastronomia local, mas conseguimos sentir um gostinho. A gastronomia de Bucareste é um reflexo da diversidade cultural da Romênia, marcada por sabores fortes e receitas tradicionais, mas também é bem cosmopolita, com diversos restaurantes internacionais. Por isso, optamos por um restaurante local e um internacional:
Restaurante Caru’ cu bere – localizado na Cidade Velha de Bucareste, é um dos restaurantes mais tradicionais e icônicos da Romênia. Fundado em 1879, o espaço combina gastronomia típica romena com uma arquitetura em estilo neogótico e interiores ricamente decorados com vitrais, afrescos e madeira entalhada. Também funciona como cervejaria. É uma ótima oportunidade para provar os pratos típicos e com um ótimo custo-benefício, já que tem a opção de menu do dia (pacote promocional com entrada, prato principal e sobremesa). Cada uma pagou 35 RON nesse pacote.



Nikos Greek Taverna – Centrul Vechi – esse restaurante grego, que ficava ao lado da nossa acomodação, chamou a nossa atenção por terem mesas externas abrigadas do frio por estufas em formato de globo. Não pensamos duas vezes e resolvemos almoçar lá. E foi uma delícia! Super abrigadas do frio!


Fechamos nosso tour pelos Bálcãs com chave de ouro, pois Bucareste nos surpreendeu positivamente pela sua riqueza histórica e arquitetônica e pela simpatia das pessoas! De lá, voamos de volta para a Itália, para finalizar mais uma Eurotrip!
MAPA:
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