Pompeia (Itália) – ressurgindo das cinzas

Olá, pessoal!

No post passado (link ao final deste post), eu mostrei um pouco do que minha mãe e eu visitamos em Nápoles, na Itália, em março de 2024. Nessa passagem rápida pela cidade italiana, fizemos um bate e volta para Pompeia, que fica a cerca de 25 km de distância.

Pegamos o trem para Pompeia no subsolo da Estação de trem Plaza Garibaldi, que fica em frente ao apartamento onde nos hospedamos. Cabe um alerta, pois na estação várias pessoas oferecem ajuda para comprar a passagem de trem para Pompeia, inclusive representantes de uma empresa que cobra comissão. Achamos melhor comprar na maquininha oficial da estação e tirar dúvida com os funcionários. Compramos a passagem de trem (€6.60 ida e volta) com integração de ônibus (€ 1.50 cada trecho) para a parada Pompei Scavi que já deixa pertinho da entrada da atração. Lembrar de validar o bilhete para não levar multa!

Trem para Pompeia

No caminho para Pompeia dá para ter uma amostra da beleza do litoral da região. Inclusive, nessa região fica a Costa Amalfitana, que se estende ao sul da baía de Nápoles e é famosa por cidades como Sorrento, Positano e Amalfi. Embora o trem direto Nápoles–Pompeia não passe exatamente pela costa, ela fica muito próxima e é um dos destinos mais procurados por quem visita Pompeia.

Vista do trem para Pompeia

Pompeia é uma das cidades arqueológicas mais fascinantes da Itália. Fundada pelos oscos (povo indo-europeu que habitava a região da Itália central) e posteriormente integrada ao domínio romano, prosperou como centro comercial e cultural até ser tragicamente soterrada pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C. O desastre preservou casas, templos, ruas e até objetos do cotidiano, oferecendo um retrato único da vida na Roma antiga.

As escavações das ruínas de Pompeia começaram oficialmente em 1748, conduzidas por ordem do rei Carlos III de Bourbon. Desde então, os arqueólogos têm revelado gradualmente a cidade coberta pelas cinzas da erupção do vulcão, tornando Pompeia um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo

Hoje as ruínas de Pompeia são Patrimônio Mundial da UNESCO e atraem visitantes do mundo inteiro, que percorrem suas vias de pedra e descobrem afrescos, mosaicos e construções.

Compramos nossos ingressos na véspera pelo site oficial da atração (www.pompeii-tickets.com). Pagamos €54 pelos dois ingressos, sendo um deles com direito ao guia por áudio.

Prepare-se para passar o dia todo se perdendo e se achando pelas ruas de Pompeia! Pegamos um mapa, o guia por áudio e saímos explorando. Tentamos visitar as principais atrações, mas tem muita coisa interessante! Não é possível ver tudo em um dia, mas é suficiente para ver muito do que foi trazido à tona após os trabalhos arqueológicos. É de impressionar o bom estado de conservação das construções mesmo após tantos séculos sob as cinzas.

Entramos pela entrada “Porta Marina Superiore” e começamos nossa visita pelas Termas de Pompeia, um dos conjuntos mais bem preservados da cidade e que revelam muito sobre o cotidiano romano. Eram espaços públicos destinados não apenas ao banho, mas também à convivência social, funcionando como centros de lazer e encontro. Dividiam-se em setores masculino e feminino, cada um com salas específicas para banho frio (frigidarium), morno (tepidarium) e quente (caldarium), além de áreas de ginástica e descanso. A sofisticada engenharia das termas incluía sistemas de aquecimento subterrâneo (hipocausto) e canalizações de água, demonstrando o avanço técnico dos romanos.

Ruinas das termas
Ruinas das termas

Seguimos caminhando até chegarmos ao Foro de Pompeia (Fórum), que era o centro político, religioso e econômico da cidade, funcionando como o coração da vida pública romana. Localizado em uma ampla praça retangular, o espaço reunia os principais edifícios administrativos e religiosos, como o Templo de Júpiter, o Templo de Apolo, a Basílica e os mercados. Ali aconteciam assembleias, cerimônias religiosas, transações comerciais e julgamentos, tornando-se o ponto de encontro mais importante da comunidade. A grandiosidade de suas construções e a disposição dos edifícios refletem a organização e a relevância do Fórum na sociedade pompeiana.

Escutando as informações sobre o Foro de Pompeia
Mainha procurando o Foro de Pompeia no mapa
Foro de Pompeia

O Templo de Júpiter era considerado o principal templo da cidade e simbolizava o poder religioso e político romano. Construído no século II a.C., foi dedicado inicialmente a Júpiter, o deus supremo da mitologia romana, mas também abrigava cultos a Juno e Minerva, formando a tríade capitolina. Sua posição dominante no Fórum refletia a centralidade da religião na vida pública e a ligação direta entre fé e governo. Hoje ainda é possível observar suas imponentes colunas e a base monumental, que dão uma ideia da grandiosidade original.

Templo de Jupiter

O Templo de Apolo é um dos edifícios religiosos mais antigos e significativos da cidade e data do século VI a.C. Dedicado ao deus da luz, da música e da profecia, o templo reflete a forte influência grega na região antes da dominação romana. Localizado próximo ao Fórum, era um dos centros espirituais e culturais mais importantes da cidade, onde se realizavam rituais e cerimônias públicas. Sua estrutura, embora parcialmente destruída pela erupção do Vesúvio, ainda preserva colunas, altares e esculturas, como a estátua de Apolo e da irmã dele.

Templo de Apolo

A Basílica de Pompeia era um dos edifícios mais importantes da cidade e desempenhava funções administrativas e jurídicas. Construída no século II a.C., servia como tribunal (onde aconteciam os julgamentos) e espaço para transações comerciais, refletindo a centralidade da vida pública romana. Sua arquitetura impressionava pela grandiosidade: uma ampla nave central ladeada por colunas e galerias, que transmitia a ideia de poder e autoridade. A basílica era também um símbolo da organização social e política de Pompeia, mostrando como religião, justiça e comércio se entrelaçavam no mesmo espaço urbano. O termo “basílica” só passou a ser usado pela igreja muito depois, com o cristianismo.

Basílica
Ao fundo, as ruínas da tribuna da Basílica
A grandiosidade da base de uma das colunas da Basílica

Também é possível admirar Pompeia do alto da Torre de Mercúrio, o que achei muito legal, pois dá para ter uma melhor noção da cidade antiga. De lá também dá para ver o vulcão Versúvio. A torre é uma pequena construção de caráter religioso dedicada ao deus Mercúrio, protetor dos viajantes, comerciantes e mensageiros. Localizada próxima ao Fórum, sua função era servir como ponto de culto e devoção dentro da vida cotidiana da cidade.

Torre de Mercúrio ao fundo
Torre de Mercúrio
Pompeia vista do alto da torre
Pompeia vista do alto da torre
Pompeia vista do alto da torre
Vulcão Versúvio

Além dos prédios públicos, algumas residências se destacam, como é o caso da Casa dos Dioscuros, famosa por seus afrescos dedicados a Cástor e Pólux, os gêmeos mitológicos conhecidos como Dioscuros. Localizada próxima ao Fórum, a casa revela a riqueza e o refinamento de seus antigos proprietários, que buscavam expressar devoção e status por meio da arte. Além dos afrescos mitológicos, o espaço preserva mosaicos e elementos arquitetônicos que ilustram o estilo de vida da elite pompeiana.

Casa dos Dioscuro

Outra residência que se destaca é a Casa do Fauno, um mansão que ocupa quase um quarteirão inteiro. Construída no século II a.C., deve seu nome à famosa estátua de bronze de um fauno dançante encontrada em seu átrio. A casa impressiona pela grandiosidade e pela riqueza dos detalhes arquitetônicos, incluindo pátios, jardins internos e mosaicos elaborados.

Ruínas da Casa do Fauno, com destaque para a estátua do fauno dançante

Enquanto mainha descansava sentada no Foro Romano, fui para a região dos teatros. Cheguei primeiro ao Teatro Pequeno de Pompeia, também conhecido como Odeon, que foi construído por volta do século I a.C. e servia, principalmente, para apresentações musicais, recitais poéticos e eventos culturais mais intimistas. Diferente do grande anfiteatro, que recebia espetáculos de massa, o Teatro Pequeno tinha capacidade para cerca de 1.500 espectadores e oferecia uma atmosfera mais refinada e reservada. Sua estrutura semicircular, típica dos teatros romanos, revela a preocupação com a acústica e o conforto, permitindo que a arte e a cultura fossem vivenciadas de forma mais próxima e envolvente. Hoje, suas ruínas ainda preservam parte das arquibancadas e do palco, transmitindo a importância da vida cultural na sociedade pompeiana. Como curiosidade, nas primeiras 4 filas ficavam os as pessoas “mais importantes” e o resto do povo nas fileiras de cima.

Teatro Pequeno

O Quadriportico dos teatros, correspondia ao foyer dos teatro, uma ampla área retangular cercada por colunas que originalmente funcionava como espaço de convivência e circulação para os espectadores dos teatros vizinhos. Construído no século II a.C., ficava ao lado do Teatro Grande e do Teatro Pequeno, servindo como pátio de acesso e local de encontro antes e depois das apresentações. Após a erupção do Vesúvio, escavações revelaram que o quadriportico foi reutilizado como quartel para gladiadores, com vestígios de armas, armaduras e inscrições que testemunham essa transformação.

Quadriportico dos teatros

O Teatro Grande de Pompeia é uma das construções mais impressionantes da cidade, projetado para receber grandes espetáculos e reunir milhares de espectadores. Construído no século II a.C., aproveitava a inclinação natural do terreno para erguer sua estrutura semicircular, típica dos teatros romanos. Com capacidade estimada para cerca de 5.000 pessoas, era palco de apresentações teatrais, musicais e eventos públicos, desempenhando papel central na vida cultural pompeiana. Também foi projetado para permitir que todos os presentes acompanhassem as performances com clareza. As 4 primeiras fileiras eram reservadas aos decuriões (senadores), as do meio aos membros de corporações e o povo acima. O palco e o cenário não estavam prontos na época da erupção. Tem ainda a parte do camarim e o fosso do palco.

Teatro Grande

O Templo de Vênus ocupava uma posição privilegiada próxima ao Fórum e era dedicado à deusa do amor, da beleza e da fertilidade. Construído no século I a.C., refletia a importância do culto a Vênus na vida religiosa da cidade, especialmente porque Pompeia estava sob a influência de Roma, onde a deusa era considerada ancestral mítica da família de Júlio César. Foi bastante danificado pela erupção, mas ainda é possível observar vestígios de sua estrutura.

Santuário de Vênus

Dentro do sítio arqueológico de Pompeia funciona o Museu Antiquarium, que serve como centro de interpretação e exposição dos achados da cidade. Reaberto em 2021 após restauração, o espaço apresenta uma coleção de objetos encontrados nas escavações, como esculturas, mosaicos, utensílios domésticos e afrescos, além de exibir materiais que ajudam a compreender a vida cotidiana dos pompeianos antes da erupção do Vesúvio em 79 d.C. O museu também conta com recursos multimídia e painéis explicativos que contextualizam a história da cidade e a tragédia que a preservou. Serve de complemento para a visita às ruínas.

O que mais me impressionou foram os moldes de gesso que representam os corpos dos moradores de Pompeia cobertos pela larva após a erupção do vulcão Versúvio. As cinzas vulcânicas que cobriram as pessoas endureceram, já os corpos decompuseram-se com o tempo, ficando um vazio no interior. A moldagem em gesso foi uma técnica desenvolvida para recriar os últimos momentos das pessoas atingidas pela erupção, de modo a preservar seus restos mortais.

Moldes dos corpos cobertos por larva no museu
Não dá nem para imaginar o sofrimento das pessoas mortas pela larva do vulcão

A visita a Pompeia é uma verdadeira aula de história! Fiquei encantada com o trabalho dos arqueólogos que, há quase trezentos anos, escavam para trazer à tona a cidade que foi soterrada pela erupção do Versúvio há aproximadamente dois mil anos. Graças a esses profissionais conseguimos ter uma noção de como eram as construções e o cotidiano da Pompeia antiga. Mega recomendo a visita!

Até a próxima, pessoal!

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