Explorando a Zona Colonial de Santo Domingo (República Dominicana)

Olá, pessoal!

Na sequência dos relatos da viagem que fiz pela América Central em fevereiro de 2026, chegou a vez de Santo Domingo, capital da República Dominicana. Foram apenas três noites na cidade, mas deu para explorar bastante, tanto é que vou precisar de dois posts para mostrar para vocês o que visitei.

Neste primeiro, o foco será na Zona Colonial e, no segundo, nas atrações que visitei além do centro histórico.

Santo Domingo é a cidade mais antiga fundada pelos europeus nas Américas, estabelecida em 1496 pelos navegadores genoveses e irmãos Cristóvão e Bartolomeu Colombo. Cristóvão, sob o patrocínio da realeza espanhola, chegou, em 1492, às ilhas do Caribe, abriu caminho para a colonização europeia e participou da organização inicial da ilha Hispaniola (corresponde atualmente à República Dominicana e ao Haiti). Seu irmão, Bartolomeu, foi governador dessa ilha e teve papel importante na fundação de Santo Domingo.

Seu coração é a Zona Colonial, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO, onde ruas de pedra e construções coloniais contam mais de 500 anos de história. Para os viajantes, é uma base excelente: além de museus e fortalezas, há cafés, bares, hotéis e hostels que tornam a estadia prática e social. A cidade é relativamente segura nas áreas turísticas, e o transporte público conecta facilmente a outras regiões.

Cheguei à capital dominicana de ônibus (Punta Express – U$7,96), saindo de Punta Cana depois de quase 3 horas de uma viagem bem tranquila. Desci na parada do Parque Enriquillo, que fica a menos de 15 minutos de caminhada da Zona Colonial. Fui caminhando até o hostel Gato Colonial. Pelo dia a área é bem movimentada, pois é repleta de comércios. Achei bem tranquila a caminhada pela manhã, mas não recomendaria no período noturno.

Normalmente, faço um tour guiado no primeiro dia da viagem, mas acabei não encontrando o tour que havia agendado para o dia da minha chegada (achei meio confuso o ponto de referência). Por isso comecei a explorar por conta própria. Mas, na manhã seguinte, consegui fazer o free walking tour com a Guruwalk, o que otimizou bastante o meu passeio pelo centro histórico de Santo Domingo.

Seguem as atrações que visitei na Zona Colonial:

  • Museu de Las Casas Reales: construído no século XVI para abrigar as instituições administrativas da Coroa Espanhola nas Américas, o prédio serviu como sede da Real Audiência (tribunal supremo da Coroa Espanhola nas Américas e primeiro Palácio de Justiça do continente) e da residência dos governadores da ilha Hispaniola. Hoje o museu apresenta uma rica coleção de artefatos coloniais, mapas, móveis e documentos que ajudam a compreender a história da colonização espanhola e o papel de Santo Domingo. Não visitei o museu, mas, em sua parte externa, estava tendo uma exposição temporária do Museu do Prado (famoso museu localizado em Madrid – Espanha), cujas obras também estavam espalhadas pelas ruas da Zona Colonial.
Exposição a céu aberto de obras do Museu do Prado de Madrid em frente ao Museu de Las Casas Reales
  • Calle de las Damas – construída pelos espanhóis, é considerada a rua mais antiga das Américas, inaugurada no início do século XVI. Seu nome vem das damas da corte que costumavam passear por ali, acompanhando Maria de Toledo, esposa de Diego Colombo, filho de Cristóvão Colombo.
Calle de las Damas, primeira rua das Américas
  • Panteão da Pátria (Panteón de la Patria): localizado na Calle de las Damas, foi originalmente construído no século XVIII como igreja jesuíta, o edifício foi convertido em mausoléu nacional em meados do século XX. Hoje, abriga os restos mortais de heróis da independência e figuras importantes da história da República Dominicana. Seu interior é marcado pela chama eterna que simboliza a memória dos que lutaram pela pátria. A entrada é gratuita e não demanda muito tempo.
Panteón de La Patria
Interior do Panteón de La Patria
  • Alcazar de Colon (1512) – Construído no início do século XVI, foi a residência de Diego Colón, filho de Cristóvão Colombo e então governador da ilha Hispaniola. O palácio impressiona pela sua arquitetura e pela vista privilegiada para o rio Ozama. Hoje, funciona como museu e abriga uma coleção de móveis, obras de arte e objetos coloniais que recriam o ambiente da época, permitindo aos visitantes mergulhar na vida da elite espanhola durante os primeiros anos da colonização. Ele estava fechado para obras, por isso não tive a oportunidade de visitá-lo. Ao lado, fica o portão da fortaleza (Puerta de Don Diego ou Puerta de la Mar) que levava ao porto e ao mar pelo rio Ozama. Era por ali que chegavam mercadorias e viajantes vindos da Espanha e de outras colônias.
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Alcazar de Colón em obras
Puerta de Don Diego
Rio Ozama
  • Plaza Espan̈a – é uma das praças mais amplas e imponentes da cidade, cercada por edifícios históricos que remontam ao período colonial. O destaque é o Alcázar de Colón, inclusive, a praça era o pátio desse palácio. A praça foi restaurada e hoje funciona como espaço cultural e turístico, recebendo eventos, apresentações e servindo de ponto de encontro para moradores e visitantes.
Plaza España
  • Casa del Cordon: construída em 1502, é considerada a primeira residência de pedra construída nas Américas. Seu nome vem do cordão esculpido em pedra que adorna a fachada, símbolo da Ordem Franciscana. O edifício tem grande relevância histórica: foi moradia de famílias nobres e chegou a receber Cristóvão Colombo em uma de suas estadias na ilha Hispaniola.
Casa del Cordon
  • Monastério de São Francisco – é considerado a primeira construção monástica das Américas, erguida no início do século XVI pelos frades franciscanos. Apesar de hoje estar em ruínas devido a terremotos, ciclones e ao desgaste do tempo, suas paredes de pedra e arcos ainda preservados revelam a grandiosidade da arquitetura colonial e fazem do espaço um dos pontos mais fotogênicos e históricos da cidade. Atualmente, o monastério é palco de eventos culturais e concertos ao ar livre. Ali também funcionava um cemitério.
Primeiro Mosteiro
  • Iglesia de La virgem de la Alta Gracia – construída entre 1912 e 1922, substituindo a antiga capela do século XVI. É dedicada à padroeira espiritual da República Dominicana, a Virgem de la Altagracia, cuja imagem atrai fiéis. Possui arquitetura colonial com sua fachada simples e interior marcado pela devoção popular.
Iglesia de La virgem de la Alta Gracia
A Igreja por dentro
  • Hospital de San Nicolas de Bari – é considerado o primeiro hospital das Américas, construído no início do século XVI. O edifício foi projetado para atender tanto colonos quanto indígenas e se tornou um marco da introdução das instituições de saúde europeias no Novo Mundo. Embora hoje esteja em ruínas devido a terremotos e ao desgaste do tempo, suas paredes e arcos ainda revelam a imponência da construção original.
Ruínas do Hospital de San Nicolas de Bari
Achei as ruínas muito fotogênicas!
Ligação das ruínas do hospital com a Igreja
  • Palácio Consistorial: construído entre 1502 e 1504 como sede do cabildo (o governo municipal), a primeira prefeitura da América, foi posteriormente remodelado, em 1944, para ganhar a aparência atual, em estilo neoclássico, com sua elegante torre do relógio que domina a paisagem do Parque Colón. Ao longo da história, o palácio desempenhou papel central na administração da cidade e hoje é utilizado para eventos culturais e exposições.
Palácio Consistorial
  • Parque Colon (antiga Plaza Mayor) – é uma das praças mais emblemáticas da cidade e ponto de encontro tanto para moradores quanto para visitantes. No centro, ergue-se a estátua de Cristóvão Colombo, inaugurada em 1887, e que simboliza a chegada dos europeus ao continente. Ao redor da praça estão alguns dos edifícios mais importantes da história dominicana, como a Catedral Primada de América e o Palácio Consistorial. Hoje, o Parque Colón é um lugar vibrante, repleto de cafés, restaurantes e apresentações culturais.
Parque Colon
  • Catedral Primada de America – é considerada a primeira catedral das Américas, construída entre 1514 e 1546. Dedicada a Santa Maria da Encarnação, impressiona pela sua grandiosa arquitetura gótica e renascentista, com detalhes que refletem a influência espanhola da época. O interior guarda importantes tesouros religiosos, como altares, pinturas e mobiliário colonial, além de ser um espaço de profunda devoção para os dominicanos. Reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, a catedral é um dos símbolos mais marcantes da cidade.
Catedral Primada de América
Catedral Primada de América
  • Calle El Conde: é uma das ruas mais famosas da Zona Colonial de Santo Domingo e um verdadeiro símbolo da vida urbana da cidade. Com origem no período colonial, tornou-se ao longo dos séculos um dos principais eixos comerciais e culturais da capital. Hoje, é uma rua exclusivamente para pedestres, repleta de lojas, cafés, restaurantes e edifícios históricos que revelam a mistura entre passado e presente. Ela conecta o Parque Colón à Puerta del Conde, reunindo história, lazer e autenticidade em um só lugar.
Calle El Conde
  • COMIDAS

Como já contei em post anterior, a minha primeira experiência dominicana foi em Punta Cana, um paraíso, mas que não preserva muito da essência do país. Em Santo Domingo eu tive a oportunidade de ver o dia a dia dos locais e quis fazer parte disso. Pedi indicação no hostel de lugares onde os locais costumam comer na Zona Colonial e me deram duas dicas:

Restaurante da Dona Margarida (não tem nome): essa senhora mantém esse aconchegante espaço na calle Duarte antes da esquina com a Uren̈a, onde ela prepara um simples, mas farto, café da manhã que atrai, principalmente, os trabalhadores da obra de revitalização da Zona Colonial. A gerente do hostel me levou até lá e fui muito bem recebida pela Dona Margarida, que preparou um prato caprichado (eu pedi para colocar o que os locais comem) com: mangú (purê de banana da terra), linguiça, salsicha, salame, ovo e macarrão. O cardápio é ao vivo: uma “vitrine” com as comidas que ela prepara. Na hora de pagar, a senhora se recusou a me cobrar, mas falei que fazia questão de pagar, assim como os demais, então ela me cobrou 100 DOP, cerca de U$ 1,60. Muito barato!

Vitrine com as comidas da Dona Margarida
Meu café da manhã

Colmado Sandy: um colmado na República Dominicana é muito mais do que uma simples mercearia: trata-se de um ponto de encontro comunitário, onde se compram produtos básicos e, ao mesmo tempo, se compartilham histórias, música e convivência. Nesse colmado, eles também servem café da manhã no estilo buffet, onde a pessoa escolhe os ingredientes e eles montam o prato. Confesso que não entendi como eles precificam, mas não sai caro. Eu gostei, porque consegui montar um prato com o que eu costumo comer no Brasil: banana da terra cozida, ovos, queijo frito e abacate (150 DOP, cerca de U$ 2,45). Tinham ainda outros ingredientes como mangú, ovo cozido e linguiça.

Café da manhã com os locais, mas com gostinho de Brasil

Também provei as guloseimas de alguns restaurantes nas áreas mais turísticas, porém sempre procurando uma comidinha típica:

Cafe France: café super agradável localizado na Calle El Conde, onde é possível comer observando o movimento das pessoas pela rua de pedestre mais famosa da Zona Colonial. Nele eu provei um delicioso e bem caprichado Sancocho, que é um guiso tradicional dominicano, semelhante a uma sopa espessa, feito com carnes variadas (pode incluir frango, boi, porco, cabra …), legumes e raízes como batata, mandioca/ macaxeira (yuca), banana verde e milho. O meu veio acompanhado de arroz e abacate. Isso tudo saiu por 400 DOP (aproximadamente U$ 6,50)!

Sancocho delicioso

Restaurante La Zona Chicharrón Light: fica na Calle El Conde e acabei escolhendo ele por dois motivos: estava bem movimentado e tinha algo que eu não havia provado: pastel de banana na folha com recheio de frango. Escolhi uma cerveja local (Presidente) para acompanhar. Confesso que não gostei do pastel, imaginava outra coisa. Esse “combo” saiu por U$ 6,30.

Pastel com massa de banana e recheio de porco com uma cerveja local

La Piedra Food Corner: lanchonete que fica em frente ao hostel Gato Colonial, com comidas preparadas na chapa. Depois de mergulhar na culinária dominicana, resolvi dar uma trégua e mergulhei em um “hamburgão” (255DOP = U$4,20)!

Bom, pessoal! Aprendi muito nessa minha passagem pela Zona Colonial de Santo Domingo. Parecia a materialização das aulas de história sobre os navegadores europeus, como Cristóvão Colombo, e suas colônias na América. Além disso, de todos os lugares que visitei nessa viagem, foi onde eu me senti mais perto dos locais, o que me encanta. Amo viajar e observar o dia-a-dia das pessoas que habitam aquele lugar.

MAPA:

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