Baños – Equador, a cidade das termas e de aventuras

Olá, pessoal!

Seguindo os posts sobre a viagem que fiz sozinha ao Equador em setembro de 2023, chegou a vez de falar sobre Baños de Água Santa, uma cidade mais ao centro do país, que fica em um vale junto ao vulcão Tungurahua. Ela é famosa pelas águas termais, pelas belezas naturais e pelas atividades de aventura. Fiquei impressionada com as cachoeiras da região!

Meu ponto de partida para Baños foi Quito, a cerca de 180 quilômetros de distância. No Terminal Rodoviário Quitumbe de Quito, peguei o ônibus (U$ 5.00) para Baños, chegando lá após quatro horas de uma viagem bem tranquila. Achei o ônibus confortável e, ao longo da viagem, vendedores entram no ônibus para vender comidas e bebidas. Como eu não tinha tomado café da manhã, aproveitei para provar os quitutes, escolhi uma empanada frita e uma porção de carne de porco com milho e batata.

Café da manhã no ônibus

Chegando ao Terminal Terrestre de Baños, fui caminhando até a pousada que eu havia reservado na véspera: o Hostal Casa Amarilla City (U$14 a diária da suíte individual com café da manhã). Apesar de a suíte ser privativa, os hóspedes interagiam bastante nos espaços comuns, como no terraço na cobertura, principalmente no café da manhã.

Minha suíte no Hostal Casa Amarilla City
Café da manhã no terraço do hostal

Tentei aproveitar ao máximo os dois dias na cidade. Fiz passeios de aventura, um tour de chiva (bem turistão), tomei banho nas termas, dei voltinha pelo centrinho e provei algumas comidinhas típicas. Só faltou fazer uma verdadeira trilha de mountain bike (MTB). Fiquei só na vontade ao ver os carros que passavam cheio de bicicletas de MTB. Ficaria, facilmente, uma semana por lá!

  • Rota das cachoeiras de bike

Meu primeiro passeio nessa cidade destino de aventura não poderia ser diferente: percorrer a Rota das Cachoeiras de bicicleta. Aluguei uma bicicleta (U$ 5) na pousada, peguei as dicas com o dono, tirei foto do mapa, fiz umas marcações no Google Maps e fui seguindo a rota. Foram 17 Km de pedal, sendo a maior parte no plano e pela rodovia, o que exigiu uma atenção redobrada, mas sem muita dificuldade. Qualquer pessoa que saiba andar de bicicleta consegue fazer esse passeio. Dizem que na alta temporada o movimento de ciclistas por ali é bem grande, por isso que os motoristas já estão acostumados e não tem muito acidente.

A bicicleta que aluguei

Na rota que me passaram, o primeiro ponto era a Represa Agoyan, que fica às margens da rodovia. Não achei muito interessante, por isso, após a foto, segui meu caminho.

Represa Agoyan

Um pouco depois da represa, para não passar por dentro do túnel dos carros, peguei a trilha que margeia o cânion e fui surpreendida por uma cascatinha. Foi bom para refrescar e não atrapalhou a passagem.

Trilha com direito a cascatinha

Fiz outra parada rápida ao lado do Mega Adventure Park , um parque com algumas atividades de aventura em Rio Blanco, tais como tirolesa atravessando o cânion do Rio Blanco e a ponte de cristal (com o piso transparente). Não me passou muita segurança, por isso não encarei a tirolesa.

Tirolesa do Mega Adventure Park
Cânions do Rio Blanco por onde passa a tirolesa

Após mais alguns quilômetros pedalando, cheguei ao ponto de partida do teleférico (U$ 2 ida e volta), em La Merced, que atravessa o cânion e de onde dá para avistar a belíssima Cachoeira do Véu das Noivas (Cascada Manto de la Novia). Eu era a única para atravessar, mas fui assim mesmo. Do outro lado têm umas trilhas, porém como não tinha mais ninguém do outro lado, resolvi não arriscar. Fiquei um tempão esperando mandarem o outro teleférico me buscar. Achei que tinham esquecido de mim! Mas alguns minutos depois, o teleférico chegou. Mesmo não fazendo nada do outro lado, valeu muito pela vista durante o trajeto!

Cachoeira Manto de la Novia
Vista do ponto de partida da travessia de teleférico
Pronta para atravessar no teleférico
São dois teleféricos que fazem a travessia

O último destino do roteiro foi em Rio Verde, cuja atração principal é a cachoeira Pailon del Diablo (Caldeirão do Diabo), que é fantástica! Existem duas propriedades que dão acesso a ela, cada uma com um ponto de vista diferente do outro. Recomendo fortemente fazer as duas.

A primeira fica logo perto da entrada na cidadezinha, antes da ponte. A entrada custou U$ 2. Deixei a bicicleta e fui caminhando sem ter nenhuma noção do que me esperava (não tinha pesquisado antes). Confesso que adoro quando vou sem expectativa! O começo da caminhada é acompanhando um rio, que, do nada, cai, formando uma cascata que deságua em um buracão/ poço.

Vista do início da caminhada
O rio, do nada, vira essa cascata
Poço onde cai o rio

Seguindo a trilha, deparei-me com uma vista maravilhoso da cachoeira! Uma queda d’água gigante e belíssima, um poço que é um verdadeiro caldeirão e uma vista panorâmica de tirar o fôlego!

O Pailon del Diablo
Eu amo essas pontes
A gigantesca queda d’água e o mirante da outra propriedade
Chegando pertinho da queda d’água
Maravilhada com a vista

Fiquei curiosa para conhecer a outra propriedade, então voltei caminhando pela trilha, peguei a bike e pedalei mais um pouco até um estacionamento, que foi o ponto de referência que me deram. Esse local era mais organizado, com uma trilha mais arrumadinha, e o valor da entrada era o mesmo: U$ 2.

Segui a trilha que me levou até uma escadaria que passa embaixo da queda d’água. Nesse caminho, conheci três brasileiros gente boa, dois de Brasília e um do Rio Grande do Sul. Voltamos juntos pela trilha que margeia o rio.

Início da trilha na segunda propriedade
Escadaria que passa por debaixo da queda d’água
Vista do mirante
Rio no final da trilha

Eles foram tão parceiros que, ao invés de voltarem para Baños de ônibus, que só custaria U$ 0.50, resolveram voltar de caminhonete comigo (U$ 3 para cada), pois já tinha escurecido, o ônibus não deixava subir com a bike e o caminhão não saía com menos de quatro pessoas. Pena que tivemos que nos separar em Baños, pois eles já estavam de partida!

Meus amigos brasileiros e eu na caminhonete de volta para Baños
  • Rafting

Ainda no clima de aventura, fiz o rafting (U$ 30) no rio Pastaza com a empresa Expediociones Amazonica, o que já incluía o traslado, equipamentos, uma hora de rafting, fotos e o almoço. Esse esporte consiste em descer as corredeiras de rios remando em cima de um bote. Já tinha feito antes e adorei, por isso não pensei duas vezes.

Depois de umas instruções, caímos na água. Perguntaram quem tinha coragem de ir na frente do bote, fazendo o contrapeso, e eu me voluntariei (já tinha passado por isso em Itacaré-BA, kkk). É bem emocionante, apesar de levar muita água no rosto. Depois fizemos um revezamento e fui remar. Foi muito divertido o passeio e a galera era bem legal (eu era a única brasileira)!

Pronta para o rafting
Treininho antes de cair na água
Já na água e no lugar mais emocionante
E foi com emoção mesmo!
Também remei!
Galera animada do bote
  • Passeio de Chiva

Para os que não são fãs de aventura, tem o passeio de chiva (U$5 só o transporte), que é um caminhão todo enfeitado e com música bem alta que eles usam para levar os turistas aos pontos turísticos de Baños e entorno. O Dan, um australiano que conheci no rafting e que também estava hospedado na pousada onde me hospedou, foi meu companheiro no passeio. Existem alguns roteiros, como a Rota das Cachoeiras e a Rota Noturna, por exemplo. Escolhemos o que vai para La Casa del Árbol, com parada no Balanço Gigante. O passeio é subindo a serra, o que proporciona uma vista linda.

Chiva
Nossa chiva cheia e barulhenta

Na primeira parada tinham duas atrações: o balanço gigante (U$10) e a passarela de diamante (U$5). A vista é muito bonita e existem alguns pontos para admirá-la e tirar fotos sem precisar pagar. Achei bem legal o balanço gigante, mas confesso que não me pareceu muito seguro, por isso me contentei em ficar só olhando e tirando foto da vista. A passarela de diamante, que avança para além do morro com uma estrutura com piso transparente com uma altura de 2600m, apesar de parecer legal, também não me atraiu.

Baños vista do balanço gigante
Base do balanço, que não me pareceu muito seguro
Balanço gigante! Isso sim é adrenalina!
Passarela diamante

Seguimos subindo até a Casa del Arbol (“El Swing at the End of the World”), um mirante que tem uma casa na árvore, com um balanço conhecido como “Balanço do Fim do Mundo” (por levar ao precipício), uma tirolesa pequena e um jardim belíssimo repleto de flores coloridas. A entrada custou U$ 1. É um ótimo local para admirar o vulcão Tungurahua! Esse é um dos pontos mais famosos da cidade e confesso que eu esperava mais. Foi nossa última parada.

A famosa casa na árvore
Vulcão Tungurahua
Um pouco do colorido jardim da Casa del Arbol
Balanço do Fim do Mundo
  • Centrinho de Baños

O centrinho de Baños é uma gracinha e bem estruturado! Não sobrou muito tempo para explorá-lo, mas consegui dar uma voltinha e me agradou muito o que vi, pois achei a cidade bem organizada e limpa. Têm muitas opções de comércio, bares e de restaurantes.

Uma das ruazinhas do centrinho de Baños

Reza a lenda que há muitos anos, um sacerdote teve uma visão com a Nossa Senhora do Rosário o pedindo para construir uma igreja junto de uma cachoeira na cidade, como retribuição a santa se comprometeria a curar todas as pessoas que, com fé, tomasse banho nas águas da cachoeira. Foi daí que surgiu a construção, no centro da cidade, da Basílica de Nossa Senhora de Água Santa, dedicada à virgem.

Basílica de Baños
Letreiro de Baños com a basílica de fundo

A Basílica fica bem pertinho das Termas Anticuas de la Virgen, que fica ao lado de uma cachoeira, e é bastante frequentada pelos locais que acreditam que suas águas são medicinais, curando várias doenças. Para os mais religiosos, a explicação seria justamente pela lenda da Nossa Senhora do Rosário, mas, existe uma explicação científica: as termas são de origem vulcânica, motivo pelo qual suas águas são repletas de minerais que ajudam na cura de algumas mazelas.

As águas termais são o principal atrativo de Baños, e estão disponíveis em balneários municipais (são cinco), como é o caso das Termas Anticuas de la Virgen, em pousadas e em spas da região. Os brasileiros que conheci no Pailon del Diablo e o dono da pousada me recomendaram muito o banho nas Termas Anticuas de la Virgen (U$ 4 a entrada), por isso foi a minha escolha.

A entrada das termas e a cachoeira vizinha

São quatro piscinas: uma fria e três quentes (38°, 40° e 42°), além de uns ofurôs. Apesar do aspecto turvo, as águas são limpas e correntes. Só pode entrar com toquinha de banho para não ficar com cabelo na piscina. Têm trocadores e um guarda volumes gratuito. Adorei a experiência! Fica aberta das 5h às 21:30.

Pronta para o tchibum com toquinha e tudo
No banhinho regenerativo
  • Comidinhas

Como o tempo era pouco, resolvi dar prioridade às comidinhas locais e, para tanto, fui ao Mercado Central, onde provei llapingacho (um bolinho de batata na chapa) com linguiça, abacate, salada, ovo e arroz (U$ 3) com suco de borojo (fruta tropical da região amazônica) com espinafre e amora (U$ 1.5). O mercado é simples, mas bem limpinho. Me senti local, comendo na mesma mesa que o pessoal da região.

Mercado Central
Llapingacho para almoço
Almoço com os locais no Mercado Central
Suco de borojo com amora e espinafre
Esse é o borojo

Do lado de fora do mercado, tinham umas senhoras assando cuy (porquinho da índia) para vender, mas não encarei.

Cuy assado na porta do mercado

No caminho para a pousada, vi uma lanchonete que sempre estava bem movimentada, então resolvi comer lá. Escolhi tortillas com queijo e chocolate quente com queijo. As tortillas estavam bem boas e me lembraram muito crepioca com queijo coalho. Já o chocolate com queijo, não estava ruim, mas eu havia imaginado algo diferente, como um creme de queijo em cima do chocolate e não uma porção de queijo para mergulhar no chocolate.

Tortillas com queijo e chocolate com queijo

Para os que buscam opções mais requintadas, comidas internacionais ou fast foods, recomendo a Avenida Oriente e a rua Eloy Alfaro, repleta de bares e restaurantes. Dei uma voltinha por lá e achei bem legal! Mas queria algo rápido, por isso optei por um kebab no restaurante Doner Kebab, que estava super movimentado.

Rua Eloy Alfaro com vários bares e restaurantes

E chegou ao fim a série de posts sobre esse país incrível, que me surpreendeu positivamente. Cheguei lá sem planos e sem expectativas e voltei já querendo ir de novo. É um destino extremamente barato e para todos os públicos, já que também é possível visitar o Equador se hospedando em hotéis melhores, comendo em restaurantes mais requintados e fazendo excursões. Optei por um roteiro low cost, não só por questões financeiras, pois já tinha feito outra viagem internacional mais cara no mesmo ano, mas também para tentar chegar o mais próximo possível do dia a dia dos locais.

Até a próxima, pessoal!

MAPA:

OUTROS POSTS SOBRE O EQUADOR:

A encantadora Quito – capital do Equador

Os vulcões e a Metade do Mundo – Equador

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