Olá, pessoal!
Chegou a vez de contar para vocês as minhas aventuras por Porto Rico, segundo destino da viagem que fiz pela América Central em fevereiro de 2026. Fiz minha base na capital, San Juan, mais especificamente no centro antigo, conhecido como Old San Juan.

Eu peguei um voo de Santo Domingo para San Juan, chegando ao Aeroporto Internacional Luiz Muñoz Marin. De lá, fui de ônibus até a esquina do hostel (Juliette Hostel Digital Nomad). Acreditem, o ônibus é gratuito! Isso mesmo! Existem várias linhas de ônibus gratuitos rodando pela cidade. Achei isso maravilhoso! E são super modernos e confortáveis!

Porto Rico é uma ilha oceânica, banhada, a Norte pelo Oceano Atlântico e, na parte sul, pelo mar do Caribe. Sua capital, San Juan, é uma cidade vibrante que combina história colonial, cultura caribenha e modernidade, tornando-se um destino imperdível para viajantes. Fundada em 1521, é uma das cidades mais antigas sob domínio dos Estados Unidos e encanta turistas com suas muralhas históricas, praias tropicais e atmosfera acolhedora. A cidade era toda murada com muros de 45m de altura, mas os espanhóis resolveram demoli-la em 1897 para abrir a cidade, mas ainda sobraram alguns trechos murados. A região era originalmente ocupada pelos indígenas (Taínos). O idioma oficial é o espanhol, mas o inglês também é amplamente falado, especialmente em áreas turísticas. A moeda utilizada é o dólar americano (USD), já que Porto Rico é um território dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos ocuparam Porto Rico em 1898, após a vitória na Guerra Hispano-Americana, quando a ilha foi cedida pela Espanha pelo Tratado de Paris. Desde então, Porto Rico permanece sob soberania norte-americana, mas com o status de Estado Livre Associado. Os porto-riquenhos receberam a cidadania americana em 1917, o que lhes garante direitos como portar passaporte dos EUA, circular livremente pelo território norte-americano e servir nas forças armadas. No entanto, há limitações: eles não podem votar para presidente dos EUA e sua representação no Congresso é restrita, já que contam apenas com um comissário residente sem direito a voto pleno. Em contrapartida, os porto-riquenhos cumprem deveres como o pagamento de alguns impostos federais e a sujeição às leis norte-americanas, vivendo em uma realidade híbrida entre autonomia local e dependência política dos Estados Unidos.
Recentemente, o país ficou mundialmente mais visível por causa do cantor Bad Bunny, que é hoje um dos maiores ícones da música latina, conhecido como o “Rei do trap latino” e responsável por levar o reggaeton e o trap em espanhol ao topo das paradas mundiais, tendo feito uma apresentação histórica e polêmica na final do Super Bowl de 2026.

Para deixar a leitura menos cansativa para vocês, dividirei minhas histórias de Porto Rico em duas postagens. Nesta aqui, apresentarei o que vivenciei na San Juan Antiga (Old San Juan). Na seguinte, mostrarei a vocês o que conheci além dessa região.

No dia em que cheguei a San Juan não dava mais tempo de fazer o tour guiado, então resolvi dar uma voltinha por conta própria no centrinho antigo (Old San Juan). Duas coisas me impressionaram bastante nesse passeio inicial: o colorido das construções e a quantidade de navios de cruzeiro atracados no porto e, consequentemente, a quantidade de turistas (norte americanos, em sua maioria).

Originalmente, as construções eram brancas, mas, no início do século XX, começaram a receber cores variadas. Outra curiosidade arquitetônica é que os espanhóis usavam muitas portas nas fachadas para aproveitar mais a ventilação e a iluminação, só depois começaram a fazer janelas.

Os navios ficam atracados a poucos metros do centrinho antigo, na área conhecida como Old San Juan Port, o que facilita o deslocamento dos turistas pelas principais atrações. Até as 18:00 (horário de partida dos cruzeiros) as ruas ficam super movimentadas, assim como os restaurantes e os comércios. Nesse horário chega a ser engraçada a correria das pessoas em direção aos seus navios.


Nessa zona portuária também fica o Puerto Rico Ferry, uma das principais formas de transporte marítimo para turistas e moradores, conectando San Juan e outras cidades da ilha. Ele oferece viagens rápidas e acessíveis, sendo uma alternativa prática para explorar diferentes regiões de Porto Rico.

Na manhã seguinte, fiz um tour guiado a pé em inglês com a Osjfreetour.com (não cobram, mas é recomendável dar uma gorjeta à guia), cujo ponto de encontro foi na Plaza Colón. Ainda na praça, a guia nos passou algumas informações sobre a história do país e, em seguida, começamos a caminhada pelas ruas da Old San Juan. Seguem os pontos por onde passamos com um pouco das explicações da guia:

A guia contou a história da ocupação espanhola, já que Porto Rico foi a segunda colônia espanhola na América. Os espanhóis chegaram à ilha em 1493, durante a segunda viagem de Cristóvão Colombo ao continente americano. A ilha foi inicialmente chamada de San Juan Bautista e rapidamente se tornou uma colônia estratégica para o Império Espanhol no Caribe.
A cidade de San Juan foi oficialmente estabelecida em 1521, quando os colonizadores espanhóis transferiram o assentamento original de Caparra para a pequena península onde hoje se encontra o bairro histórico conhecido como Old San Juan. Essa mudança ocorreu porque a nova localização oferecia melhores condições defensivas e acesso estratégico ao porto natural. Lá eles construíram uma cidade militarizada com uma fortaleza composta por 3 fortes que formavam um triângulo: Forte San Felipe del Morro, conhecido por El Morro (1593); Forte San Cristóbal (1783); e o La Fortaleza (1533). Atualmente, fazem parte do San Juan National Historic Site, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Mais adiante, falarei mais um pouco sobre cada um deles.
A ilha deixou de ser colônia espanhola em 1898, após a Guerra Hispano-Americana, como já mencionei anteriormente, mas não ficou independente, pois passou diretamente do domínio dos Estados Unidos.
Após essa recaptulação histórica, vamos aos pontos que visitamos durante o tour guiado:
- Plaza Colon: localizada na entrada da antiga cidade murada de San Juan, é uma das praças mais emblemáticas de Porto Rico, marcada pela estátua de Cristóvão Colombo erguida em 1897 para celebrar os 400 anos da chegada dos espanhóis à ilha. Hoje, é um ponto de encontro popular e porta de entrada para explorar a Old San Juan.

- Teatro Alejandro Tapia y Rivera (Teatro Tapia):fica na parte inferior da praça e é o teatro mais antigo de Porto Rico. Foi inaugurado em 1832 e é palco de óperas, peças teatrais e concertos.

- Callejon de La Capilla: os espanhóis construíram becos perpendiculares ao Atlântico para ventilação e os fizeram estreitos para proporcionar mais sombra. O piso azul de alguns desses becos são blocos em mármore azul endurecidos com escória de ferro. A guia nos levou para conhecer a Callejon de La Capilla, um dos exemplares desses belíssimos becos.

- Paroquia San Francisco de Assis – um dos objetivos dos colonizadores espanhóis era catequisar os locais. Dentra as ordens religiosas, a que primeiro chegou a Porto Rico foi a Franciscana e essa paróquia é um exemplar. Em 1523, começaram a construir um monastério e, em 1532, a igreja foi construída. Na Plaza Salvador Brau tem a marcação de onde a igreja original, que foi demolida, ficava. Junto da praça foi construída a versão atual da igreja e ela tem uma cripta embaixo dela.



- Banco Popular de Porto Rico – foi construído no início dos anos 1900 e, naquela época, era o edifício mais alto do país. Ele chama atenção por ter sido construído em estilo surrealista. O que mais gostei foi a estátua do El Jirafo que fica em uma das entradas do prédio.

- Bastión de Las Palmas de San José – é uma área que tem resquícios da muralha que foi construída pelos espanhóis após a invasão holandesa, em um episódio em que o Porto de San Juan foi saqueado e queimado. Também funciona como um mirante de onde é possível ver o Porto e o Paseo de la Princesa.



- Paseo de las Princesas – é um dos lugares mais encantadores para caminhar e sentir a atmosfera histórica da cidade. Localizado logo na entrada do Old San Juan, esse calçadão arborizado conduz os visitantes por jardins bem cuidados, fontes elegantes e esculturas que contam parte da cultura porto-riquenha. Ao longo do trajeto, é comum encontrar músicos e artistas locais, além de barraquinhas com comidinhas e bebidas locais, o que torna o passeio ainda mais vibrante.


- La Casa Estrecha – foi reconhecida como a casa mais estreita das Américas, mas ninguém mora mas lá.

- Palácio do Governo (La Fortaleza) – fica no local da Fortaleza (ao final da rua Fortaleza), um dos 3 fortes da antiga cidade murada. Foi construído em 1533 e é a mais antiga residência de governadores em uso contínuo nas Américas. Originalmente erguida como fortaleza para proteger o porto e armazenar suprimentos, acabou se tornando a sede do governo de Porto Rico. Hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO e ainda funciona como residência oficial do governador. Na parte de trás do Palácio ainda tem uma parte da muralha.


- Catedral Basilica Menor de San Juan Bautista (Catedral de Porto Rico) – foi a segunda catedral a ser construída na América (depois da que foi erguida pelos espanhóis em Santo Domingo). Da construção original não sobrou quase nada, mas tem uma capela construída na metade do século XVI. Dei sorte de chegar bem na hora da missa!


- Casa Blanca – é a construção mais antiga da cidade, originalmente era a moradia de Ponce de León. Depois foi ampliada e virou parte do forte.

- Castillo San Felipe Fort (El Morro) – é o mais famoso dos fortes. Foi construído a partir de 1539 para defender a entrada da baía contra navios inimigos. É voltado para o Atlântico e tem 6 andares, sendo que a parte mais antiga fica no segundo pavimento. É rodeado por um gramado imenso. Seu farol original foi destruído na guerra entre os EUA e a Espanha, e um novo foi construído pelos norte-americanos. A entrada é paga (U$10), mas não animei após quase três horas de tour guiado. Fiquei explorando seu exterior, encantada pela vista do mar! Também me chamou a atenção a imensa cúpula à beira mar, que é onde fica o cemitério Santa Maria Madalena.






- Castillo de San Cristóbal: sua construção foi finalizada no final do século XVIII, tornando-se o maior forte espanhol construído no Novo Mundo. Foi projetado para proteger a cidade contra ataques terrestres vindos do leste. Possui túneis, masmorras e uma estrutura militar complexa que mostra a evolução da engenharia defensiva espanhola. A entrada custa U$10.

- Comunidade La Perla e o Callejón de la Tanca – às margens do oceano, entre os fortes El Moro e San Cristobal fica a comunidade (favela) La Perla, composta por casas doadas pelo Governo. Sua localização deixa as casas muito expostas às intempéries, como os furacões, por exemplo. A comunidade é famosa pela sua influência no cenário musical, tendo relação direta com a evolução do Reagaton. Na parte de cima da comunidade, tem um beco com bares, o Callejón de la Tanca.



- Captólio e Plaza San Juan Baptista – O Capitólio de San Juan, situado na Plaza San Juan Bautista, é um dos edifícios mais imponentes e simbólicos da capital porto-riquenha. Inaugurado em 1929, o prédio abriga a Assembleia Legislativa de Porto Rico e impressiona pela sua arquitetura neoclássica, marcada por colunas majestosas e uma cúpula revestida em mosaicos coloridos. Além de sua importância política, o Capitólio é também um ponto turístico: os visitantes podem explorar exposições históricas, murais que retratam episódios da história da ilha e apreciar a vista panorâmica para o Atlântico. Infelizmente, não consegui entrar para conhecer o interior do Capitólio. Caminhar pela Plaza San Juan Bautista, em frente ao edifício, e pela orla, completa a experiência.





- COMES E BEBES
Como vocês viram, bati muita perna pelas ruas da Old San Juan. Mas entre uma “turistada” e outra, parava para provar as comidinhas. Seguem os lugares onde comi:
– Cafeteria Mallorca – é um restaurante bem tradicional, bastante procurado por locais e turistas, principalmente, no café da manhã. Foi lá que provei a famosa Mallorca com queijo, um clássico da culinária porto-riquenha, especialmente popular nos cafés e padarias de San Juan. Trata-se de um pão doce e macio, de origem espanhola, polvilhado com açúcar de confeiteiro, que pode ser servido simples ou recheado. A versão com queijo é uma das mais tradicionais.


- Restaurante Genesis – fica nas proximidades do ponto de chegada/ partida dos navios, portanto é frequentado por muitos turistas. Eles possuem algumas opções de comida local, escolhi frango e arroz com gandules ( feijão-guandu, de sabor levemente amanteigado).

- Café Manolin – foi indicado pelo meu amigo, Sacha. É bastante procurado pelos turistas. Fui em duas ocasiões: para comer um “PF” (chuleta de porco com arroz, feijão e banana) e para pegar para viagem (levei para comer no aeroporto) o famoso sanduíche Cubano (pernil de porco, presunto, queijo branco, mostarda, picles).



- Cocina Cero Siete Doce – caminhando pelo entorno do hostel, achei esse restaurante com um espaço de mesas mega agradável e escolhi para comer um sanduichinho no café da manhã.


- Restaurante Deaverdura – foiuma indicação da guia do tour que fiz. Eles usam verduras frescas, inclusive as vendem lá. Mais uma vez, fui de PF, mas esse foi de filé de peixe, com salada e arroz com lentilha. A comida é simples e gostosa, mas confesso que não curti muito, pois o atendimento é péssimo e o cardápio (fica escrito em uma parede) não mostra o preço.

- Hamburgueria El Hamburguer – uma hamburgueria tradicional local que fica perto do hostel onde me hospedei. Ela é frequentada mais por locais. O interessante é que você escolhe os ingredientes para montar o seu hamburguer. Achei o preço bem justo!

– La Factoria – no hostel conheci a Velentina, uma italiana que mora há anos em Nova York e resolveu fugir do frio que estava fazendo lá para passar o fim de semana e comemorar seu aniversário em San Juan. Ela me apresentou a noite da Old San Juan, que é bem movimentada! Fomos para o Factoria, baladinha que ficou famosa com o clipe da música Despacito, cantada por Luis Fonsi e Daddy Yankee. Estava tocando salsa e a galera estava arrasando na pista de dança. Até me arrisquei também! Os drinks são muito bons, mas o preço é meio salgado! A entrada é gratuita !



Cheguei a Old San Juan sem muita expectativa e fiquei encantada! Muitos atrativos e para todos os bolsos e gostos! Voltaria com certeza! Não deixem de conferir o próximo post com os lugares visitados fora do perímetro do centrinho antigo!
Até mais, pessoal!
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